Saudade, sai de mim…

Hoje eu acordei diferente… Acordei mais sensível… E não me venham falar que tudo isso tem fundo hormonal… Não! É tudo baseado em fatos!

Há dias, tinha colocado na minha cabeça que te esquecer era necessário. Porque a gente sente quando não é recíproco e seria burrice minha ficar dando socos em ponta de faca… Tudo parecia tranquilo, até que hoje, eu acordo e meu primeiro pensamento foi você… Pois é, poderia ter sido o que eu tinha pra fazer hoje ou até que roupa vestiria meu humor… Mas não! Meu pensamento voou até você… Tentei ignorar, ocupar a minha mente com qualquer coisa… Entro no carro, pronta pra ouvir qualquer rockzinho melódico, trilha sonora quase soberana nas minhas playlists, que segundo a maioria das pessoas, é música de suicídio, mas faz eu me sentir tão bem… Shuffle… “Hoje eu acordei e dei a falta de você…saudade de você, saudade de você…” Destino sambando na minha cara com salto 15! Se fosse qualquer outro dia normal, eu tinha duas possibilidades: a primeira era trocar de música e a segunda era simplesmente cantar junto, sem dar importância, fazendo caras e bocas, tipo Gusttavo Lima… Mas hoje, um dia atípico, não… Já ouvi falar que quando estamos felizes, a gente escuta a melodia e quando estamos tristes, prestamos atenção na letra… Por experiência própria, isso é a mais pura verdade! Eu me conectei com a música, ouvi cada cifra, concordei… Gente! Pra você se conectar com uma música dessas, é porque o negócio tá grave!

Querendo ou não, tudo isso que eu tô sentindo é saudade! Já admiti pra mim mesma e só admito em público, porque eu sei que a probabilidade de você estar lendo isso agora é nula.

Sabia que sempre que leio uma frase que eu gosto, eu anoto e guardo pra quando for necessário? Pois é, eu resgatei uma de Ita Portugal e ela se fez tão indispensável hoje pelo fato de relatar exatamente o que estou sentindo:

“É engano pensar que só existe saudade do que aconteceu. Existe saudade daquilo que quase ocorreu. Do que a gente sonhou e não realizou. Do que ficou no caminho por falta de insistência. Essa saudade é dolorida e tem gosto de indefinido.”

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Mulher de fases

De perto, ninguém é normal… Mas até que ponto nossa loucura é descarada? Quando que ela começa a ficar preocupante? Como não sou nenhuma psicóloga e não leio livros de auto-ajuda, eu não sei responder… Mas, esse pouco tempo de laboratório da vida, me permite concluir que qualquer loucura fica mais leve se você praticar o desapego. Não vou falar que é fácil… Porque não é MESMO… Você precisa ter um super auto-controle e às vezes mentir pra si próprio. Mas por outro lado, as idéias fixas acabam e você estará livre… Será?

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Já percebi que tenho fases… Na primeira, eu realmente pratico o desapego… É natural, é fácil, é de uma sanidade incrível! Adooooro! Mas aí alguma coisa ocorre pra acabar com a minha paz e começar a inquietação… Não preciso de grandes gestos. Às vezes, um toque na ponta do nariz já basta.
Aí vem um pequeno desespero, porque você sente que alguma coisa lá dentro mudou… Claro que ela vinha se alterando progressivamente, mas só agora a ficha caiu…

RESPIRA! Num piscar de olhos, tudo isso vai passar… Deve ser carência… CALMA!

(pisca)

Merda! Entrei na fase 2!

A fase 2 é a mais inquietante, porque é uma luta de você contra você mesma… É a negação do que você está sentindo, diariamente. É uma repressão, a ditadura do pensar.
E você tá tão preocupada em lutar o dilema interno, que deixa transparecer em cada poro o que está sentindo. Tá escrito na sua testa e você nem percebe… Até que chega sua amiga e fala:

Você tá assim assim assado e tá sentindo isso isso isso…

MERDA. Como ela descobriu?

Com isso, você passa pra fase 3.
Ouvindo de uma pessoa de fora, tudo parece mais simples, não é? Seu enigma acabou… Bom, nem tanto. Agora é a hora de você admitir pra todo mundo o que tá sentindo, menos pro pivô de td isso. É, ele é o último a saber… Afinal de contas, culpa dele que você tá passando por toda esta tormenta…
A fase 3 é bem simples… Agora que estamos às claras, tudo faz mais sentido. Só tem um problema (claro, nada é tão simples assim), essa fase cansa, enjoa. Logo, logo, você não vai mais aguentar esse chove não molha…

 
E aí, quando você menos espera, Hello, fase 4!
Nessa fase, pode ser q você fique meio louca… Na verdade, você pode soar como uma total descontrolada… Ahhh, mas já tá mais do que na hora… É o tudo ou nada! E é assim que você vomita todo seu sentimento no motivo do seu desassossego… Assusta, sim, mas você tira o peso das suas costas e transfere o desespero pra outra pessoa…

É libertador!

E de novo, eu me pergunto: será? Analisando essas minhas fases, consigo ver como sou complicada… Tudo seria mais fácil se encarasse logo os fatos e parasse de jogar. Isso sim seria libertador…

Acabo este post, citando Raimundos:
“É pena, eu sei amanhã já vai miar
Se aguente que lá vem chumbo quente”