Existe mesmo amor em São Paulo?

Hoje pela manhã, abro os olhos aos poucos, olho para a janela, vejo que o sol continua dormindo e aquela preguiça de levantar da cama tão quentinha começa a bater. Depois de uma séria “briga” com o edredom saio correndo para o chuveiro (lugar onde costumo traçar minha agenda diária e pensar no dia anterior).  Arrumo-me, pego minhas coisas e vou à espera do ônibus, o maldito ônibus que passa de meia em meia hora e que se eu o perco sou obrigado a ficar esperando horas o próximo. Mal sabia eu que aquele trajeto hoje me faria pensar tanto.

Quando o ônibus finalmente chega, passo a catraca e sinto um cheiro esquisito no ar. Olho para os lados procurando de onde vinha o odor e finalmente me deparo com um morador de rua sentado em um dos bancos logo após o cobrador. Sento-me dois bancos atrás do individuo e como todos os dias continuo ouvindo minha música e correndo os olhos pelo celular vendo as ultimas atualizações do Facebook. Eis que acontece a primeira situação constrangedora:

Sinto um toque em meu braço alguns minutos após me sentar me chamando, tiro um dos meus fones e escuto uma voz feminina me dizer: “Você vai sentar mesmo ai atrás deste cara? Não estou nem aguentando o cheiro que está aqui deste lado! Quem dirá sentando onde você está”. Por alguns segundos não consigo nem olhar para a mulher que dizia aquilo, mas após um tempo me viro e as únicas coisas que saíram da minha boca foram às palavras: “Isto não está me incomodando”. Uma série de perguntas me passa na cabeça naquele momento. Como uma pessoa pode pensar daquele jeito! Fico imaginando neste frio, eu que tenho chuveiro em casa, posso me esquentar a hora que eu quiser, me “limpar” a hora que quiser, mas e ele? Será que a mulher não vê isso?

Quando finalmente esqueço-me desta situação e acredito que todo o absurdo passaria eis que acontece o que eu menos esperava: o ônibus para em um de seus pontos diários e o cobrador se levanta. Em alto tom chega ao morador de rua e o expulsa dali se justificando que “não era obrigado a ficar sentindo aquele cheiro” e ordena que ele saia daquele ambiente. Várias pessoas começam a rir, e outras olham indignadas como eu. Realmente muitas pessoas pensavam como a mulher que havia me cutucado uns minutos anteriores. Me arrependi de não ter falado nada, me arrependi de não ter ficado uns minutos a mais na cama para não ter que presenciar tal cena, me arrependi de não ter defendido aquele cidadão.

Quando cheguei ao trabalho comento tal fato com uma pessoa que trabalha comigo e descobri um caso parecido que aconteceu no Rio de Janeiro.

Existe mesmo amor em SP? E no RJ? Será que ainda existe amor no mundo?

Triste cena que com certeza ficará na minha cabeça por algum tempo.

Em busca do desconhecido…

Pouco tempo atrás, um dos integrantes do RA! participou de uma promoção que perguntava: “O que se traz na bagagem ao investir numa viagem cultural?”. Parece um pouco óbvia a resposta e poderia se resumir em uma palavra: Conhecimento. Mas será que é só isso?

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Em Julho do ano passado comecei a fazer planos de uma viagem de final de ano, viagem essa que mudou de roteiro umas quinhentas vezes, mas que no final teve seus destinos escolhidos após muitas pesquisas: Portugal, Espanha e Itália.

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No começo tudo parecia um sonho e cada vez que a data ia chegando mais perto tudo se tornava cada vez mais real. A ansiedade sempre ali presente e a vontade de se aventurar e descobrir o novo cada vez mais aflorada.

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No dia 17 de dezembro finalmente parti. Parti em busca do desconhecido para mim e a partir do momento que pisei no solo “diferente” cada passo era um encantamento, um mistério que acabaria por ser desvendado.

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Andei muito, por lugares abertos e fechados, ruas largas e estreitas. Vi o mar, montanhas, picos e planícies, e finalmente me dei conta da diversidade de pessoas que vi e que conheci. Dei-me conta de que duas palavras resumiriam bem a viagem: Diversidade e Diferença! Como posso acreditar que existem pessoas que não sabem conviver com a diferença sendo ela tão incrível?

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Conhecer culturas, pessoas e lugares diferentes deveria ser obrigatório para qualquer individuo! Saber analisar, respeitar e principalmente admirar o comportamento e o modo de vida em outros países é simplesmente INCRÍVEL.

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Mais incrível ainda é você voltar para sua realidade e ver a quantidade de “bagagem” que trouxe na volta. Não a bagagem material, é claro, mas a bagagem espiritual, aquela que nenhum dinheiro compra e que com certeza irá levar para o resto da sua vida!

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Valeu à pena? Valeu! Cada centavo, minuto e espera.